21 de jan de 2013

Em leitura: Friedrich Nietzsche

Nietzsche é um filósofos mais populares e comentados por diversos segmentos, entretanto poucas pessoas sabem alguma coisa acerca de sua filosofia.

Ele foi um crítico da moral do século XIX, da ideia de avanço da sociedade rumor ao melhor,propagada pela conhecida, belle époque (1871-1914), e da história da filosofia ocidental.

Sua filosofia pode ser entendida como uma especie de desconstrução dos conceitos defendidos até a época, ou seja, ele ataca as ideias de vários filósofos estudados até o momento por um estudante convencional ou estudados num curso de filosofia.

Dessa forma filósofos consagrados como Sócrates, Espinoza, Rousseau, Kant e Schopenhauer (só para citar os principais) são massacrados nas páginas de seus livros. "Derrubar ídolos - isso sim, já faz parte do meu oficio" essa é sua declaração autobiográfica, entretanto na desconstrução dos conceitos de sua época  Nietzsche, abre espaço para novos.

Nietzsche é um filosofo que sofre bastante preconceito por parte de muitos leigos e desinformados (tanto no meio popular quanto no acadêmico), entretanto por recomendação do meu professor de filosofia e também devido aos estudos para o pérfido vestibular, decidi me iniciar em sua obra. É necessário destacar que antes de ler a obra desse filosofo, eu, já havia começado a ler livros clássicos como forma de aumentar o meu conhecimento.

Meu primeiro livro foi, O Crepúsculo dos ídolos, lido no fim do mês de novembro do ano passado e que foi uma dos três melhores livros que eu li naquele ano. Durante a minha viagem nesse ano, terminei a leitura de Anticristo e logo cheguei a conclusão que esse foi o segundo melhor que eu li já em 2013 (li apenas quatro) e que dificilmente alguém tira ele de lá. Na viagem, já adquiri o meu 3º livro, A gaia ciência, e pretendo termina-lo ainda no fim desse mês.

Ler trechos de Schopenhauer foi uma confirmação de que estava fazendo certo em ler poucos livros, que apesar de tudo era muito bons e de ter um apurado senso crítico em relação ao que leio, me pego várias vezes discordando de Nietzsche e até do próprio Schopenhauer, não aceitando suas idéias sem refleti-las. Pensar por si mesmo é a grande virtude dos verdadeiros intelectuais, os que lêem muito não são inteligentes, muito pelo contrário, podem ser até idiotas, pois onde arrumaram tempo para refletir sobre o que leram e como vão ter pensamentos próprios se os malditos não larga a droga do livro.

Ler livros é importante, mas não é a chave do conhecimento. Para quem quiser conhecer melhor essas idéias, leiam esse livro. A leitura de Nietzsche me fez refletir sobre diversos tópicos um deles é a sexualidade humana, que ele defende atacando a forma como a nossa "moral" e a religião cristã tratam esse tema. Sua crítica a religião cristã em, O anticristo, foi uma das críticas mais geniais que já li, nesse livro ele mostra como a religião cristã atuou contra tudo aquilo que é considerado natural do homem e como ela valorizou apenas os aspectos anti-naturais e nocivos a vida.

A análise psicológica de Jesus é um dos grandes trechos dessa obra junto a deturpação de seu evangelho por parte de seus vingativos discípulos especialmente o Paulo de Tarso. Um dos trechos mais interessantes é Nietzsche falando de como a igreja era contra a higiene ao citar um episódio na Espanha onde eles destruíam os banheiros públicos e o motivo por trás.

Nietzsche entende a religião cristã como um pano de fundo para que o sacerdote exerça seu poder sobre o povo, gosto bastante quando ele critica os monges e as pessoas que fazem jejuns para ficar "puras" espiritualmente em uma critica que me arrancou gargalhadas.

As críticas que ele feitas ao socialismo fazem sentido ainda que mereçam uma reflexão maior de minha parte, mas sou veemente contra o que ele fala acerca do casamento civil e da emancipação feminina (essa última é identificada como um sintoma da decadência). Há muitos textos dele que podem ser discutidos, e já pensei em fazer um blog só para apresenta-los a alguns leitores.
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Porque eu decidi falar hoje desse grande pensador que é tão influente no nosso meio metálico, sendo influência para bandas como o Gorgoroth? Decidi falar dele devido a uma lei que foi aprovada no Rio de Janeiro que se chama: "Programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais"  de autoria da deputada, Myrian Rios. Ninguém sabe explicar o que essa lei de fato diz e vem sendo muito criticada e comentada.

Entretanto criticam pelo lado errado, pois eles estão acusando a deputada por uma coisa que ela fez quando  era jovem (ela posou para revistas pornográficas) o que é absolutamente ridículo, pois depois de todos esses anos ela pode ter se arrependido de ter feito isso, não acham?  O que os "irritadinhos do facebook" estão reclamando é que ela sugere uma lei de "bons costumes" sendo que ela já posou nua, o que como foi afirmado no paragrafo passado é um verdadeiro absurdo.

O que de fato merece ser criticado é que alguém em pleno século XXI queira restaurar valores do século antepassado, valores que já foram esmigalhados por muitos intelectuais da época, valores que foram derrubados depois de muitos anos de batalha. Eu como leitor não só desse autor, mas também de outros, sou muito cínico em relação a essa história de "decadência da sociedade", pois o que para esse povo moralista é a decadência, ao meu ver são triunfos sobre a hipocrisia e ignorância em sua maioria.

Eu falaria mais sobre isso se tivesse lido Além do bem e do mal ou Genealogia da moral, livros em que ele explica como surgiu o que é considerado moral e imoral, certo e errado, bom e mau. Mas como está obvio muitos desse conceitos vem da igreja cristã que moldou a sociedade ocidental, ou seja, é como Nietzsche coloca muito bem em suas obras, o cristianismo vai contra tudo que é da natureza humana, sendo assim já dá para imaginar o que foi condenado.

A sexualidade humana que é uma das coisas mais belas e prazerosas que um ser humano pode usufruir, sofreu sérias sanções, sendo tachado de imoral e de pecado, só não foi eliminado pela igreja, pois isso seria impedir o desenvolvimento da raça humana (qual a graça do mundo sem súditos?) e apesar de não ter sido eliminado foi dito que ele só era puro dentro do casamento. Instalaram a heteronormativadade como forma de oprimir as outras sexualidades que não geravam descendentes.

Atacaram a saúde humana promovendo a ideia de que cuidar dela era uma forma de luxúria e vaidade, ambas consideradas pecados, pois apenas a beleza da "alma" importava, por esse motivo quando estudamos a Europa antiga achamos os europeus porcos. Defenderam "o amor ao próximo" e atacaram "o amor a si mesmo", pois sabiam que amar ao próximo quando não se tem amor próprio é mais difícil.

Em suma ele ataca o cristianismo por valorizar o além ao invés de dar valor a vida que levamos aqui na terra. O que ele critica está bem expresso nesse trecho de música: "Já morri pra minha vida e agora eu vivo a vida de Deus". Nietzsche era ateu, logo para ele valorizar o além acima das vida "carnal" era uma das idéias mais macabras possíveis, não é atoa que ele considera o cristianismo "a maior maldição da humanidade".

Como vocês podem ver há muito pouco de belo nisso que é chamado de "moral", entretanto essa deputada acha bonito nós regredimos tudo o que evoluímos e começarmos a seguir todos os padrões morais novamente porque o século XXI anda violento demais para ela? Para ela só tenho a dizer que nosso século é inofensivo se comparado a "era da catástrofe" (século 20) onde esses valores eram mais fortes do que hoje.

Os defensores da moral são os mais violentos de todos, você já percebeu isso? Para eles a moral é uma religião que deve ser defendida com unhas e dentes, punindo severamente aqueles que a descumprem. Não pretendo me alongar sobre esse lei, até porque ninguém a conhece direito, mas já dá até para imaginar.

2 comentários:

  1. O que mais me entristece é que o catolicismo e o protestantismo por serem vistos como as "religiões verdadeiras", fazem com que muitas pessoas deixem de acreditar em Deus por causa de doutrinas dessas religiões e não da Bíblia. Por exemplo, um colega meu disse que virou ateu porque, apesar de ver na Bíblia que Deus é amor, a Igreja ensina que esse mesmo Deus amoroso condena as pessoas em um inferno de fogo para toda a eternidade. Por isso, ele achava a ideia de um ser superior contraditória, mas o interessante é que a Bíblia nunca citou o inferno de fogo, assim como nunca citou a trindade e a vida após a morte (aquela em que dizem que uma alma sai do corpo e fica rondando por aí)... Se as pessoas fizessem da Bíblia, seu livro autoridade para entender Deus, em vez de engolir meros pensamentos humanos, creio eu que com certeza haveriam bem menos ateus.

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  2. Amanda, eu estudei a bíblia quando era mais jovem lá pelos meus 10 e 12 anos e sempre soube que Deus jamais citou o Inferno, trindade e vida após a morte, entretanto me distanciei da religião ao ver o tanto de limitações que a bíblia me impunha.

    Esse ano eu rompi de vez com o meu cristianismo através da leitura do livro: O Anticristo do filosofo acima.

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