26 de jul de 2012

Coluna do Pop: Little Broken Hearts (2012)

Norah Jones não estava no meu grupo de cantoras preferidas até a audição desse disco, sequer conhecia seu trabalho (a exceção dos grandes hits como "Don't Know Why"), baixei o disco apenas para conhece-la.

Existem histórias de grandes discos lançados após casos de decepção amorosa, entre eles temos o recente 21 da Adele In The Wee Small Hours do Frank Sinatra só para citar os exemplos que me vem a cabeça no momento, e Little Broken Hearts acaba de entrar nesse seleto rol de obras-primas.

O disco abre com a balada "Good Morning" que inicia com um lindo toque de piano e logo ganha acompanhamento na voz luminosa de Jones que nos transporta para um ambiente de paz absoluta tamanha a delicadeza com que ela aborda a canção, simplesmente sublime!

O disco continua com um clima mais descontraído em "Say Goodbye" até que chegamos na "Little Broken Hearts" que nos apresenta a atmosfera melancolia na qual o disco está realmente mergulhado, esse faixa parece ter sido cantada com a cantora com a voz ainda embargada em lágrimas. "She's 22" é mais uma bélissima faixa em que Jones nos faz cúmplices de seu sofrimento através da letra e da sua declamação que apesar de triste parece querer se mostrar forte para resistir a dor da separação, tudo isso aliado a uma forma dócil de cantar que é sem dúvida o grande segredo para arrebatar o ouvinte.

Uma das coisas que os fãs vão perceber de cara é que a veia "jazzística" presente até então no som da Norah Jones deu lugar a um pop de primeira linha com enfoque em melodias marcantes e climas que se adequam perfeitamente a voz da cantora, sendo portanto um belo suporte a cantora.

Take It Back dá continuidade ao disco com um clima mais calmo e menos melancólico se destacando pelo conjunto da obra e especialmente pelo coral no fim da música. "After The Fall" mantém o disco em alto nível com sua sonoridade mais acessível aliada a vocalização de Norah Jones sempre excelente. "4 Broken Hearts" é uma canção intimista com uma atuação mais enérgica de Norah Jones que apesar disso mantém o frescor e a beleza nessa abordagem.

Diferentemente de cantoras como Adele, Joss Stone e Janelle Monaé, cantoras possuidoras de vozes potentes e quentes, a voz de Norah Jones é leve, gélida e sobretudo luminosa, o timbre é de invulgar beleza sem que a cantora faça nenhum esforço. Na vocalização de Norah Jones não há apelos virtuosisticos que as divas tanto adoram, é apenas canto puro e simples, mas de grande eficácia.

"Out On The Road" e "Happy Pills" são faixas que fogem do clima melancólico do resto do disco, apresentando uma sonoridade mais feliz e leve que as outras, a última é uma critica ao seu ex-namorado sem nenhuma maldade perceptível na voz da Norah Jones, essa caracteristica também é observável na delicadíssima balada, "Miriam", um dos melhores momentos do disco em que a letra é uma critica ferrenha a mulher que tomou seu namorado, mas é cantada com tanta doçura que acaba se tornando uma das faixas mais belas do disco, sugiro que quando a ouvir acompanhe a letra.

"Travelin On" carrega um dos momentos mais belos do disco com trechos capazes de arrancar lágrimas do ouvinte. O disco fecha com chave de ouro com "All A Dream" mais um pop de clima introspectivo em Norah Jones canta soturnamente e ao mesmo de forma bastante agradável aos ouvidos.

A produção do disco ficou por conta de Brian Burton integrante do Gnarls Barkley (um grupo extremamente importante para o Soul Revival) que se mostra muito bom nessa sua nova empreitada. Norah Jones brilha bela interpretação, a cantora transpira pathos ao longo da sua interpretação, melancólica, contida, descontraída, calma, Norah Jones sai vitoriosa em tudo, o timbre bélissimo é a grande cereja no bolo dessa vocalização.

"Com a voz de Norah lambendo nossos ouvidos de modo tão doce fica difícil não se tornar cúmplice de sua dor-de-corno." (Regis Tadeu)

Nota: 10 **********

2 comentários:

  1. Eu gosto muito de como você tem a mente aberta para vários estilos musicais, fora o rock e o metal, diferente de muitos ignorantes por aí. Eu respeito sua opinião, e gostaria de ver uma resenha sua sobre uns dos cds mais falados do inicio de 2012, Born to Die, da tão criticada Lana Del Rey.

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  2. Oi, Luiz Felippe, muito obrigado pelos elogios, eu estava receoso de dar esse tom mais ecletico para o blog por causa das reações dos leitores então por isso é muito bom ver um comentário como o seu.

    Do disco "Born To Die" eu sou ouvi os singles e outras duas faixas e estava na dúvida de resenhar ou não, vou tentar resenha-lo até porque tem muita coisa para ser resenhada ainda.

    E vamos ter muto mais "Colunas Pop" ao longo desse ano.

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