29 de nov de 2012

Coluna do Pop: The Soul Sessions Vol 2 (2012)

Gosto bastante dessa cantora inglesa, tendo inclusive por seu primeiro disco uma grande consideração e até o colocaria em listas do que de melhor foi produzido por essa nova geração do Soul.

O primeiro disco primava por interpretações bem estudadas, escolha precisa de repertório não se limitando apenas ao que é mainstream, arranjos interessantes aliados a uma voz fresca e potente.

Se esperava o mesmo da continuação lançada nove anos depois e posso dizer que ao ouvir de forma apressada esse cd, cheguei a coloca-lo entre os melhores do ano, entretanto uma audição mais cuidadosa revela alguns lapsos.

Um dos primeiros e mais graves erros do disco consistem em um estudo descuidado da forma de abordar canções soul, o que deveria ser básico para uma cantora do gênero. Essa observação fica clara na abordagem esterilizante que ela dá a canção, "Pillow Talk", de Sylvia Robinson, privando-a de quase todo o cunho sensual presente na interpretação original, transformando a música em um single radiofônico sem profundidade e "moralizado", mero exercício vocal.

Uma escolha acertada foi a versão de "High Road" que ganhou bastante na voz potente e de belo timbre da inglesa, os arranjos e o coral deram a música um clima retrô bastante interessante e tornaram essa uma das melhores faixas do disco. A releitura de "While You're Out Looking For Sugar" não apresenta muita diferença da original, mas o interessante de releituras que não alteram muito e tirar a música do esquecimento e apresenta-las ao grande publico que é geralmente bem ignorante quanto ao Soul clássico underground, nisso Joss Stone acertou.

Uma das grandes virtudes de Joss Stone é o total controle técnico que ela tem de sua voz e da beleza flamejante da mesma. Essa característica a favorece bastante na releitura de "Teardrops", pois a cantora original era bem inferior a Joss nessas duas características e algumas palavras do fraseado original saiam feias, entretanto a minha crítica vai para o arranjos que retiram todo o clima animado que o original transmitia ao ouvinte, o que evidentemente contribui para o enfraquecimento da canção.

Outra música legal que Joss Stone tira do báu e a até conhecida, "(For God's Sake) Give More Power To The People", da banda Chi-Lites. Pouca coisa muda nessa releitura, o interessante mesmo é ver a canção ser conduzida por apenas uma voz núcleo diferentemente da original. Acho desnecessário apenas alguns virtuosismos vocais que resvalam para o campo do Histrionismo nessa interpretação.

A melhor faixa do disco é "I Don't Wanna Be With Nobody But You" devido a sublime interpretação que Joss Stone emprega a essa canção, especialmente nos últimos versos que saem de forma quase chorosa. Joss Stone para provar que não foi um golpe de sorte também arrebenta em "The Love We Had (Stayed On My Mind)" com um belíssimo agudo no clímax da canção.

A versão de "Sideways Shuffle" é bem mediana, pois a canção perde o tom mais fofo que Linda Lewis dava a versão original, os arranjos são praticamente os mesmos e Joss Stone é estática na interpretação dessa canção. "I Got The Blues" também é bem fiel a original, e Joss Stone se mostra bastante competente nessa releitura.

"Stoned Out Of My Mind" é uma canção bem bacana, mas "Then You Can Tell Me Goodbye" fecha o disco de forma negativa, pois foi completamente descaraterizada pela Joss Stone e seus arranjadores, o clima retrô delicioso da canção original foi substituído por um clima bobinho e uma interpretação insossa e forçada de Joss Stone.

Eu apostava muito no potencial desse novo disco e ainda que não seja uma decepção, pois tem momentos muito bons, se esperava muito mais do sucessor da excelente primeira parte, que havia lançado a cantora ao estrelado.

Nota: 7,5 ********1/2

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