10 de jun de 2012

Stratovarius: Para começar a ouvir


Stratovarius é o 2º grupo de Power Metal mais influente (pau a pau com o Gamma Ray e na frente do Blind Guardian), influência que inclusive foi citada em um questionário preparado a alguns tempos onde eu perguntava qual foi o primeiro grupo a trazer o teclado para primeiro plano (instrumento principal). Na verdade o teclado havia surgido no Heavy Metal a muito tempo, mas o Stratovarius levou o uso desse instrumento a outro patamar influenciando muitos grupos posteriores.

Na verdade a cena finlandesa foi levada em consideração depois do surgimento do Stratovarius e boa parte das outras bandas sofrem influência deles, isso sem falar dos grupos que surgiram através da fragmentação de seus integrantes.

Agora vamos falar do objetivo dessa coluna; nela eu vou apresentar toda uma sequência de discos para um ouvinte iniciante conhecer uma banda, dizendo por onde começar e continuar. Os comentários sobre cada disco não serão resenhas propriamente ditas, na verdade elas tem a função de servir como um guia de audição explicando o que esperar de cada faixa.

O primeiro grupo escolhido foi o Stratovarius por vários motivos:

1- Banda obrigatória para fãs de Power Metal e Headbangers em geral, exceto aqueles que não curtem Power Metal.
2- É uma das bandas de Heavy Metal mais influentes da história como já foi dito.
3- É uma banda legal e fácil de ser ouvir o que facilita o meu trabalho de ouvir sua discografia.
4- Banda com vários periódos distintos em sua sonoridade, apesar de ser lembrada por apenas um.
5- Oportunidade para conhecer melhor o grupo.

Visions - 1997

01 - The Kiss Of Judas
02 - Black Diamond
03 - Forever Free
04 - Before The Winter
05 - Legions
06 - The Abyss Of Your Eyes
07 - Holy Light
08 - Paradise
09 - Coming Home
10 - Visions










O disco Visions é uma escolha muito obvia, mas se formos pensar bem não há melhor escolha para se começar a ouvir um grupo do que seu magnum opus, e o disco Visions é um disco de fácil audição, portanto ideal para começar. 


Para não perder tempo falando de aspectos técnicos farei isso antes de começar a escrever sobre as faixas. O som do Stratovarius pode ser descrito como uma explosão melódica, que é veloz e marcante. A voz de Timo Kotipelto é de uma personalidade incrível, ele estava cantando em seu 3º disco e havia sido muito bem aceito pelos fãs novos fãs do grupo, e sua atuação aqui é legendária.

Refrões poderosos e grudentos, solos individuais de teclado e guitarra com influência neoclássica, "interação uterina entre guitarra e teclado soando como apenas um instrumento" (Ricardo Seelig), Intervenções orquestrais, excelentes linhas vocais de Timo Kotipelto que se revelou para mim desde o dia que o conheci um dos maiores vocais do gênero.

Guia de Audição

Obs: Stratovarius é uma das bandas com as melhores letras, portanto aconselho que você as acompanhe

Os discos do Stratovarius do Visions até o Elements Pt1 sempre abrem com músicas mais comerciais, geralmente essas faixas são as melhores do disco. Aqui essa faixa é nada mais nada menos que a clássica "The Kiss Of Judas", com um refrão delicioso de ouvir e um belo solo.

Se prepare agora para ouvir um dos riffs de teclado mais famosos da história, sim me refiro a introdução da clássica "Black Diamond", faixa que mostra o primeiro solo conjunto de teclado e guitarra fundindo-se em apenas um único instrumento, e o refrão é um dos melhores do Power Metal.

Agora pegue a letra e cante com toda a força o refrão de "Forever Free", uma das melhores letras da banda. "Forever Free" é uma faixa que tem uma pegada que remete mais ao power metal clássico no inicio, mas logo no solo podemos ouvir o teclado em um solo isolado da guitarra. Álias um ponto a destacar e que eu ainda não o fiz, é a cadência maravilhosa entre os solos de guitarra e teclado do grupo finlandês que tornam seus solos ainda melhores, muitas bandas tentaram copiar a formula de solar com teclado e guitarra, mas poucas o repetem tão bem quanto o próprio Stratovarius.

Vamos desacelerar com a baladinha "Before The Winter" que apesar de ser uma música legal com um refrão marcante e belas linhas vocais de Timo Kotipelto dá uma baita desanimada no ouvinte que estava empolgado com as três primeiras faixas.

Mas não se preocupe que a faixa "Legions" já vai anima-lo, começando com seu riff tremendão e seu jeitão de hino épico, na verdade se não fosse a voz inconfundível de Timo Kotipelto e o solo todo pimposo de teclado no meio da música eu ia pensar que essa era um cover do Hammerfall. Não acredita? dá uma lida na letra e uma ouvida na música e veja se não parece.

Apesar de começar bem pesada a faixa "The Abyss Of Your Eyes" é uma faixa bem cadenciada equivalendo a algo como um Moderato se de música clássica estivéssemos falando. Um dos elementos que  acho legal nessa música são os efeitos especiais de eco em algumas frases cantadas por Timo Kotipelto, gosto também da estrofe que antecede o solo, o refrão é bacaninha, mas existem outros melhores.

Tá gostando dos solos ultra-velozes com referências de música clássica? Dos duos de guitarra e teclado e de suas fusões (apesar de o Visions não ser o disco em que essa caracteristica é mais evidente)? Se sim a próxima faixa foi feita para você. "Holy Light" é uma faixa instrumental que segue aquela tipica formula de solos clássicos com seu inicio em velocidade aceleradamente moderado (Allegretto), a parte acústica e para te acordar do cochilo a parte onde a música engatada com os solos fodões de Johasson e Tolkki e nessa parte há um peso muito bem vindo.

Não há melhor maneira de engatar o ouvinte depois de uma faixa instrumental do que uma faixa bacanuda como "Paradise" (outra letra bem legal que vale a pena acompanhar), e também serve para distrair o ouvinte que deve ter ficado confuso após o fim estranho de "Holy Light", pois ela não tem um fim definido pegando de surpresa os ouvintes que não estiverem atentos a contagem de tempo das músicas."Paradise" tem uma pegada Hard Rock, uma ponte fantástica melhor até do que o refrão e olha que o refrão é daqueles para se cantar a plenos pulmões nos shows ou em casa quando você estiver sozinho.

Tava demorando né? Mais uma baladinha para desagitar o ouvinte, mas fique tranquilo "Coming Home", apesar do nome génerico é uma balada ainda mais legal que "Before The Winter", e nela podemos perceber que Tolkki não vive apenas de solos masturbatórios com influências clássicas, e que ele manda bem no violão acústico também, e que Jens Johasson é um melodista de mão cheia ou você ainda não se tocou que ele é um dos principais responsáveis pela qualidade das melodias? Outra coisa que podemos perceber e quanto o timbre de Kotipelto é bélissimo, as primeiras estrofes são fantásticas principalmente pelo sentimento que ele põe nelas. Tirando isso "Coming Home" é aquela balada com melodias fofas, vocais bonitinhos e que vai ficando mais grandiosa com o passar do tempo, assim como outras várias.

O disco fecha com a épica "Visions" faixa que eu acredito ser uma grande influência para bandas como o Rhapsody Of Fire. Apesar disso a maior faixa do disco se destaca mesmo pela atuação de Kotipelto que carrega a canção praticamente sozinho, a parte final da música é maravilhosa as palavras de Kotipelto realmente aliviam o ouvinte e por esse motivo eu sugiro que você a ouça lendo a letra a fim de entender a mensagem que Kotipelto transmite a cada estrofe.

Obs: A letra de "Visions" apresenta citações a Nostradamus escritor de As Profecias, livro muito debatido atualmente devido ao medo do fim do mundo.

2 comentários:

  1. Ah, não fala isso de 'Before the Winter'... (ouvindo novamente agora só me lembrei de ASOIAF xD) - Essa música é viciante caporra.
    Véééééééééiiiiiii... 'Legions' Lembra muito Hammerfall mesmo! Como eu nunca tinha percebido?! *-*
    Véi, Coming Home é mto gostosa... >< E esse fôlego, essa garganta, essa voz de Kotipelto me dá ódio pq eu quero cantar junto mas é quase uma blasfêmia tampar a voz dele com minhas faltas de fôlego -.-
    Vamos conscientizar o mundo Visions e Paradise \o/
    Forever Free encaixa com as Manifestações atuais...
    Enfim,
    Vlw pelo post!

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  2. Que bom que você gostou do post. Como você pode ler, eu, até gosto de "Before The Winter", porém é a faixa que eu menos gosto do disco.

    Eu sempre achei que Forever Free era uma música contrária ao fanatismo religioso (A banda aprofundaria essa temática no Elements Pt1) e por isso também acho que ela se encaixa perfeitamente atualmente

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